A identidade digital e a biometria prometem acabar com a tirania das senhas

A identidade digital e a biometria prometem acabar com a tirania das senhas

Com o aumento significativo do volume de transações digitais, a identificação digital passou a ser peça-chave para garantir a segurança, a confiança e a validade jurídica das transações. O Gartner acredita que, em 2024, um padrão de identidade global, portátil e descentralizado surgirá no mercado para tratar de casos de uso de negócios, pessoais, sociais e de identidade invisível.

Até lá, três movimentos vêm ganhando força:

- A eliminação do uso das senhas de acesso;
- A criação e adoção de identificações digitais nacionais;
- O uso crescente da autenticação biométrica, via impressão digital e identificação facial.

Hoje, a autenticação baseada em senha está entre os mecanismos mais utilizados para controle de acesso. Mas senhas podem ser adivinhadas, compartilhadas ou roubadas a partir uma ampla variedade de ataques e não fornecendo segurança adequada para sistemas sensíveis e informações confidenciais. A meta das empresas é ficar à frente do roubo de identidade. E uma das primeiras etapas para as empresas em sua jornada de segurança cibernética é dar um passo em direção à autenticação passwordless (sem senha).

A autenticação biométrica vem se consolidando como uma das formas mais pesquisadas hoje para acabar com a tirania das senhas e reduzir a fricção no acesso às aplicações digitais. Mas ela também tem seus problemas. Muitos especialistas argumentam que para integrar dados biométricos em nossas vidas de maneira inteligente, é preciso garantir que eles jamais saiam do dispositivo em uso. Em outras palavras, jamais sejam armazenados em qualquer outro lugar que não o próprio dispositivo.

Em teoria, há vantagens inegáveis em uma identidade digital centrada no ser humano. Ela permitiria às empresas e aos governos saberem exatamente com quem estariam lidando, de forma inequívoca, sem revelar mais do que as informações estritamente necessárias para determinada finalidade. E daria aos usuários o controle de seus dados. Afinal de contas, da mesma forma que governos e empresas desejam ter a garantia da identidade do usuário e do não repúdio para reduzir as fraudes, o usuário deseja ter seus dados e sua privacidade respeitados.

Mas um dos grandes desafios da identidade digital nacional é que ela precisa ser única e amplamente aceita. A GSMA acaba de publicar um relatório sobre o papel das telecomunicações nos ecossistemas de identidade digital, com estudos de caso do Benin, Gana, Quênia e Uganda. O relatório, sem surpresa, descobriu que parcerias entre a indústria e os reguladores poderiam beneficiar tanto os sistemas nacionais de identificação digital em geral.

O Brasil segue a onda

A identidade digital nacional caminha a passos lentos, mas constantes. A ideia do governo é usar biometria para identificar o cidadão. Para isso está sendo criada uma plataforma que, inicialmente, terá todos os documentos atuais digitalizados e um barramento tecnológico que permitirá a identificação do cidadão por meio de uma base de dados biométrica unívoca. A ideia é fortalecer o sistema de identificação do Brasil e a identidade do brasileiro.

O governo também trabalha com o barateamento e simplificação de emissão e uso de assinaturas eletrônicas e certificados digitais no âmbito da ICP-Brasil. Até o ano passado, a emissão de Certificado Digital exigia validação presencial. Havia todo um rito muito rigoroso e burocrático também. Agora, a videoconferência e coleta e verificação biométrica permitem a emissão 100% remota do certificado. E, desde o mês passado, a verificação biométrica do requerente pode ser realizada através da comparação de apenas uma das biometrias utilizadas – como digitais dos dedos ou reconhecimento facial – com bases de dados biométricos públicas como as do Denatran, gerida pelo Serpro, e do Tribunal Superior Eleitoral.

O caminho de todas essas soluções é o de prover uma identidade única, simples de usar, com uma autenticação forte.

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